27 Julho 2026

EXCLUSIVO: Emanuele Gigliotti fala sobre o Boca, rejeita River Plate e sua passagem pelo México

Ao lado de Cesar Luis Merlo, FlashScore conversou com o ex-atacante do Boca Juniors, Independiente e Nacional de Montevidéu, entre outros, para falar sobre coisas como pênaltis perdidos, dizer não ao River Plate, sua carreira, futebol mexicano e até jornalismo.

Abrindo-se para discutir alguns dos momentos mais difíceis de sua carreira no futebol, Gigliotti Depois de perder um pênalti no Superclássico da Copa Sul-Americana, ele lembra das centenas de mensagens de ódio e de culpa que o perseguiram durante anos.

anúncio

anúncio

Você sempre quis ser jogador de futebol?

“Quando criança sonhava com futebol, mas depois vi que não era muito realista. Joguei em Madrid e vi que os meus companheiros tinham outros empregos: desempregados, livreiros, etc.

Como seu primeiro agente descobriu você?

“O nome dele era Citterpillo, ele trabalhava para o Jorge. Marquei muitos gols em seis meses no Madrid, e o técnico (Tano Iluni) teve contato com ele. Foi quando assinei. Começaram a me levar para uma academia, treinei com Ricky Alvarez e outros que já estavam na primeira divisão. Mudou minha perspectiva.”

As últimas oito temporadas de Gigliotti
As últimas oito temporadas de GigliottiFlashScore

Quando você percebeu que poderia viver do futebol?

“Quando assinei aquela primeira representação. Até então o futebol era um hobby. Economizei meu primeiro salário e depois de algum salário comprei meu primeiro carro.”

Você mudaria alguma coisa em sua carreira?

“Não, foi incrível. Mas eu costumava dizer ao meu eu de 20 anos para trabalhar muito mais nos detalhes, como cobranças de falta. Também ajudou as crianças de hoje a obter informações: elas até sabem quantos gramas deveriam comer. Isso não acontecia antes. Treinei duas ou três vezes por semana nas ligas inferiores, enquanto os jovens jogadores de hoje estúpido ou o rio Treinando como os profissionais.”

Qual momento você mais gostou?

“Gostei disso quase toda a minha carreira, especialmente à medida que envelheci. Gostei muito do meu tempo no Boca, São Lourenço Muito (apesar dos tempos difíceis), e em independente Quando o time joga bem. Normalmente, à medida que envelhecemos, você aproveita tudo: não apenas pisar em campo, mas mostrar aos torcedores nas arquibancadas.”

Doeu como você se mudou para o Independent?

“A decisão foi minha. Vi que teria menos minutos do que queria. Holan e eu tínhamos opiniões diferentes na época. Mas depois o relacionamento foi restaurado, principalmente quando meu pai morreu e ele me apoiou. Reconstruímos nosso vínculo.”

Esse pênalti falhado e suas consequências

Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

“Quando saí do Boca não era o que eu queria nacionalNão foi do jeito que eu queria que fosse.”

Por que foi tão difícil deixar o tolo?

“Porque no Boca fui culpado por perder uma partida. Foi a série contra o River, na Sul-Americana. Acertei um pênalti fora da trave e, depois dessa omissão, toda a culpa foi colocada em mim. É mais fácil culpar alguém pela derrota do que admitir que o time não funcionou.”

E o que você acha que é o responsável?

“Não. Se aquele pênalti tivesse acontecido, estaríamos na final. Mas acertei na trave. É uma partida de futebol, essas coisas acontecem. Mas no Boca, com toda a pressão, eles estavam procurando um bode expiatório. Como dizia Maradona, eles acham que a partida está perdida por causa de uma única ação. E isso não é verdade. Muito mais do que futebol.”

Há quanto tempo isso o acompanha em sua carreira?

“No começo, é claro, isso me irritou. Recebi centenas de mensagens de todos os tipos. Um jornalista vazou meu número de telefone e tive que trocá-lo. Nunca descobri quem era. Mas com o tempo, aprendi a conviver com isso. Muitos de nós somos lembrados mais por duas semanas ruins do que por um objetivo de carreira inteiro. Se eu ajudasse o idiota a ganhar o título, talvez não conseguisse dançar. Essa música.”

E as pessoas trouxeram isso para você na rua?

“Não, ninguém nunca me disse nada diretamente. Quando alguns estão juntos, pode-se gritar alguma coisa, mas nunca sozinho. Uma vez, em uma boate em Santa Fé, um bêbado se aproximou de mim, mas foi mais por diversão do que qualquer outra coisa. Ainda bem que aconteceu na China e não na Argentina, porque poderia ter sido um escândalo.”

E por que foi difícil sair do National?

“Pela primeira vez, tive uma lesão simples que demorou mais do que o normal para me recuperar. Nunca me recuperei totalmente. Isso significa que não ganhei nenhum minuto nos últimos seis meses. Eu nunca teria ido assim. Mesmo assim, o pessoal do Nacional me ama e eu os amo. Minha esposa é torcedora do Nacional mais do que qualquer outro time; ela odeia o Penarol.”

Como é Luis Suarez no dia a dia?

“Extraordinário. Você poderia pensar que um cara com quatro xícaras seria arrogante, mas não é nada. Ele fazia churrasco para estrangeiros no México, cozinhava com lenha, e sua esposa Sofia lavava a louça. Ele era muito humilde. Nós nos divertíamos muito.”

Qual clube foi o mais difícil de jogar?

“A Argentina, no Independiente. No exterior, no Nacional e no Lyon. No San Lorenzo, passei por momentos muito difíceis: havia problemas com salários, muitos jogadores jovens não conseguiam pagar o aluguel. Os mais velhos ajudavam os mais novos. Aconteceu comigo também em Colônia, onde fiquei vários meses sem receber.”

Você tem uma camisa que você valoriza?

“O mais especial é o Roberto Ayala, do Parma, quando o campeonato italiano era o melhor do mundo.

De qual companheiro você sente mais falta?

“Sinto falta do futebol todos os dias, de não jogar sozinho. Rituais, bobagens com os companheiros. Uma vez fiquei bravo com Chino Recoba porque ele me deu um bolo e eu cheguei 40 minutos atrasado para o treino. O treinador apenas riu.”

Conte-nos sobre sua experiência na China.

“Foi ótimo, embora naquela época eu senti falta da minha família. Eu vim de Boca, onde você estava em todos os canais de TV e ninguém na China sabia quem você era. A China está mil anos à frente tecnologicamente: prédios com luzes coloridas, tudo conectado. Mas também tinham costumes estranhos: os bebês usavam calças abertas porque as fraldas eram caras.

“Eu comia coisas exóticas: tartarugas, cobras, aranhas. As tartarugas tinham gosto de carne normal, mas a pele era nojenta, como uma gosma suja de piscina infantil.

Você é torcedor de algum clube?

“Agora não. Quando criança, eu era torcedor do Boca, ia ao estádio e era sócio. Me escondia com um primo porque meus pais não gostavam. Minha avó era fanática: quando ela morreu, encontramos um pedaço do muro da velha bombonera. Quando joguei no Boca, pedi novamente meu cartão de sócio.”

Um dos últimos gols de Emmanuel Gigliotti
Um dos últimos gols de Emmanuel GigliottiKarin Pozzo/Photosport/Photosport via AFP

Interesse do River Plate

Dizem que o River Plate tentou contratá-lo em algum momento. É verdade?

“Sim, é verdade. Tive a oportunidade de ir para o River. Mas foi num determinado momento: o River tinha acabado de ser rebaixado para o B Nacional. Era um clube em uma situação muito difícil, sob muita pressão, e um elenco foi construído para vencer o B e voltar à primeira divisão.”

E por que você não quis ir?

“Naquela época, Rivers estava na B. Não era o Rivers como o conhecemos hoje. Era um projeto incerto. Se Rivers estivesse na primeira divisão, talvez eu tivesse pensado diferente. Mas naquele momento, do ponto de vista esportivo, não era a melhor opção para mim. Tive uma boa passagem pelas ligas inferiores e parecia ter mais chances.”

O fato de você ser um fã incondicional influenciou sua decisão?

“Não, de jeito nenhum. Quando você joga futebol, você é 100% profissional. Nenhum sentimento de torcedor te impede. Nunca entrei em um clube pensando na cor. Minha decisão sempre foi sobre o futebol. Se o River estivesse na primeira divisão e me ligasse, eu teria tratado como qualquer outra oferta. Mas na época, não era o momento certo.”

Arrependido de não ter ido?

“Não. Tomei a decisão que achei acertada na altura. Mais tarde, depois de jogar por outros clubes e de me sentir apegado a determinadas camisolas, por respeito a esses clubes e aos seus adeptos, não poderia ter tomado uma decisão diferente. Mas não fui um adepto estúpido. Foi uma decisão desportiva e relevante.”

Futebol no México

O que você acha do futebol mexicano em comparação com o futebol argentino?

“O futebol mexicano é mais entretenimento, eles tentam jogar mais. O futebol argentino é mais uma batalha e uma luta. Os playoffs mexicanos são emocionantes, mas uma partida eliminatória pode ser injusta. Na Argentina há muitas partidas e o calendário está muito lotado.”

Quem precisa de mais, torcedores argentinos ou mexicanos?

“Os torcedores argentinos são mais apaixonados e rígidos. Os torcedores mexicanos gostam, mas aqui os torcedores podem ser rígidos. Às vezes eles ficam bravos quando você cumprimenta um adversário, como se não pudesse ter amigos em outro clube. No México, as pessoas são mais relaxadas.”

Um time mexicano pode vencer a Libertadores hoje?

“Hoje é muito difícil porque os brasileiros dominam: o orçamento, o elenco de 50 jogadores, os jogadores da seleção. Uma seleção argentina não vai vencer por muito tempo. Os brasileiros querem e têm tudo para vencer.”

Há mais pressão num grande clube argentino ou num grande clube mexicano?

“Na Argentina, 100%. Os torcedores argentinos acreditam que seu time deve vencer sempre, independentemente da realidade.”

Os jogadores mexicanos têm menos apetite que os argentinos?

“Eles têm fome, são profissionais, mas os argentinos têm mais. Está no seu ADN. Mas está a mudar com o tempo”.

E a mídia, como está?

“A mídia mexicana é mais sensacional e divertida. Na Argentina você tem de tudo: jornalistas sérios e cada vez mais pessoas falando bobagens sem sentido.”

O que mais te incomoda no jornalismo?

“Pergunta estúpida. Eles deveriam receber um cartão vermelho e não poder participar de 10 coletivas de imprensa. Eles sempre procuram o sensacionalismo sem se concentrar nas especificidades do futebol. Acho que é possível fazer jornalismo sem isso.”

Pergunta rápida

O VAR arruinou o futebol?

“Não, aqueles que usaram usaram.”

A camisa do Boker é pesada?

“Sim, é pesado. Eu compararia isso a um elefante ou a mim mesmo (risos).”

Bombonera está derrotada?

“As bombas estão caindo.”

Qual defensor foi mais físico com você?

“Cheeky Perez. Uma vez ele me deu uma cotovelada e partiu minhas sobrancelhas.”

Qual treinador tirou o melhor de você?

“Ariel Holan.”

Já aconteceu de um treinador não saber o seu nome?

“Duas vezes. Uma vez em Itália, quando ingressei num clube que tinha acabado de ser promovido de C para B, o treinador não me conhecia. Outra vez, no Nacional, o treinador perguntou se eu era Emmanuel ou Manuel. Ele tinha 25 jogadores e não sabia o meu nome.”

Que conselho você daria para uma criança que está começando?

“Trabalhe duro, foque nos detalhes, aproveite todas as informações disponíveis hoje. E não desista, porque o caminho é muito difícil”.

Para finalizar, como você quer ser lembrado?

“Alguém que trabalhou duro para vencer, que gostou de jogar em todos os clubes e que sempre deu tudo pela camisa que vestiu. Isso é o que importa.”



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *