12 Junho 2026

Estratégia da CBF nos EUA: como as reformas da Liga Brasileira se conectam com a MLS

A CBF realizou uma reunião de abertura com representantes dos clubes das Séries A e B do Brasil e das federações estaduais para iniciar as discussões sobre a criação de uma liga de futebol no Brasil, com o presidente da CBF, Samir Jaoud, chamando-o de “um dia histórico para o futebol brasileiro”, já que os clubes se reuniram “para discutir uma questão que definirá nossa futura liga única”. As reuniões representam a última fase da estratégia mais ampla de internacionalização da CBF, que inclui trazer stakeholders brasileiros aos Estados Unidos para estudar o modelo de governança da liga.

Escritório da CBF em Miami como hub estratégico

A mudança marca o primeiro passo em uma extensa rede global destinada a fortalecer a marca CBF, aprofundar parcerias comerciais, envolver a diáspora brasileira e expandir a colaboração técnica com a Federação de Futebol dos Estados Unidos e a Major League Soccer. Localizado perto de importantes partes interessadas, como FIFA e CONCACAF, o escritório de Miami atua como uma embaixada do futebol brasileiro, auxiliando em acordos de patrocínio, relações institucionais, iniciativas de escotismo juvenil e desenvolvimento feminino.

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Desde a inauguração do escritório em Miami, há cinco ou seis meses, a CBF já obteve resultados tangíveis, fechando novos negócios com grandes empresas como Uber, Volkswagen e iFood. Essas parcerias são resultado direto dos relacionamentos e comunicações que Miami construiu dentro do ecossistema maior da CBF.

Aprendendo com a estrutura de governança da MLS

A análise se aprofundou após uma imersão internacional na Europa em janeiro, quando a delegação brasileira conheceu conceitos, modelos administrativos e estratégias utilizadas por ligas e federações da Inglaterra, Alemanha e Espanha em temas como fair play financeiro, tecnologia e profissionalização da arbitragem. As reuniões dos EUA estendem esta investigação aos modelos norte-americanos, particularmente à estrutura do MLS.

O órgão regulador nacional disse que a liga estava subvalorizada e apresentou um plano para finalizar as regras da liga até o final de 2026. Se for bem-sucedido, o processo poderá acabar com a divisão da competição em dois blocos rivais de clubes – o FFU e o Libra – que paralisou a liga. Atualmente, os dois blocos competem por receitas e direitos comerciais.

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Desafios Estruturais

A CBF apresentou estudos dos primeiros meses da atual gestão para mostrar o potencial completamente inexplorado do futebol brasileiro, cuja principal divisão nacional é, no entanto, a sexta liga mais valiosa do mundo. A CBF listou uma série de questões que precisam ser abordadas no futebol de clubes brasileiro, incluindo calendários de jogos, horários de início de jogo, infraestrutura dos estádios, fair play financeiro e marketing.

“A liga precisa incluir os clubes. Esse é um princípio fundamental e inegociável. A CBF estará presente, com papel ativo como mediadora e uma das líderes do processo.” Esta abordagem reflete o modelo de governança centrado nos clubes da MLS, onde as franquias individuais mantêm uma autonomia significativa dentro de uma estrutura centralizada.

Implicações para o futebol dos EUA

Hoje, há uma movimentação significativa entre Brasil e MLS. Muitos jogadores brasileiros estão vindo para a MLS, e também há transferências de clubes da MLS para o campeonato brasileiro, que é organizado pela CBF. Por conta dessa troca, é fundamental que a CBF se mantenha informada e traga os melhores insights e informações para o nosso ecossistema.

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Uma liga brasileira unificada poderia fortalecer o pipeline de jogadores entre o Brasil e a MLS, especialmente com a aproximação da Copa do Mundo de 2026. Grupos internacionais como City Group e Red Bull GmbH têm investido em clubes brasileiros, representando uma importante mudança cultural para o futebol brasileiro e aproximando o modelo em alguns aspectos do que vemos nos Estados Unidos. No Brasil, os investidores agora podem possuir clubes, mas as ligas e competições ainda são organizadas e administradas pela CBF.

A presença da CBF nos EUA dá ao futebol brasileiro um caminho mais estruturado para capitalizar o crescente mercado de futebol norte-americano e para trocas de talentos e parcerias comerciais com a MLS antes da Copa do Mundo.



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